Espaço Cultural

“ Um monolito puro em concreto aparente da vida ao novo equipamento cultural da cidade de São Paulo, Brasil. Localizado nos Campos Elíseos, área central da cidade, no encontro da Alameda Barão de Piracicaba com a Alameda Nothmann, a arquitetura proposta vem de encontro com uma série de medidas que visam a revitazação urbana dessa região.”

Um convite ao público é feito através de grandes entradas, sem barreiras físicas e com caráter acolhedor. As dobras orientam o percurso e aguçam a curiosidade de descobrir o novo espaço.

Conhecida nos anos 40 como bairro da elite paulista, e local da sede do Governo do Estado e das estações Júlio Preste e Estação da Luz, a região passou por um conturbado processo de desencolvimento, e atualmente os Campos Elíseos possui casarões abandonados e é palco de um intenso problema social da cidade, com isso, acabou recebendo a alcunha de “Cracolândia”, devido ao consumo excessivo de entorpecentes que acontece nas ruas locais.

Em contraponto a essa dura realidade, o novo equipamento cultural veio para catalisar transformação da região, e melhorar o cenário urbano local. Concebido para ser local de desenvolvimento e apresentação das mais variadas expressões artísticas contemporâneas, o espaço tem como objetivo abrigar: exposições, atelies, cursos, workshops, simpósios, feiras, festas e festivais. Portanto, a diversidade da espacialidade dos espaços internos foi pensada para conferir grande flexibilidade de uso, o que possibilita, assim, diversos arranjos de curadoria e escalas de exposições. Fatos que enriquecem a experiência do usuário no local. Com uma fachada arrojada de concreto, com dobras que parecem dobraduras, a arquitetura brinca com sombras que se transformam em luz quando acessada pelo visitante.

O programa do Espaço Cultural se divide em áreas de apoio (administração, curadoria, salas de aula e sanitários) e espaços expositivos. A edificação recebe dobras que fazem um contraste ao formalismo tradicional de uma galeria de arte. Estas dobras conferem arranjos técnicas como dividir os espaços expositivos, orientar os acessos e garantir uma boa acústica devido a quebra do paralelismo. Nos espaços que são necessários, iluminação e ventilação tais como: administração, curadoria, salas de aula e sanitários, foi idealizado um fechamento diferenciado, onde a fachada de vidro é protegida por uma segunda pele de elemento vazado de concreto com madeira, criando assim uma fachada inusitada.

Outro aspecto interessante na obra é a forma como se da o acesso ao mezanino, feito através de uma rampa que se projeta para fora do edifício, criando oportunidade de um contato diferenciado com o meio externo, gerando uma pausa desejável para a transição dos pavimentos. Este espaço de transição também é uma oportunidade de contemplação ao Edifício Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, construção de relevância histórica da cidade.

Além da arquitetura assimétrica de concreto, o complexo conta também com uma praça pública que articula o Espaço Cultural com os outros equipamentos (restaurante e loja) do local. A arte pode, portanto, extravasar o limite físico do edifício e criar espaços alternativos para exposições ao ar livre.