Escola Bissau

“ Adotada como lamina única, posicionada perpendicularmente ao Norte e Sul do terreno, o projeto cria uma solução inteligente em clima específico. O objetivo desta lâmina, foi gerar um eixo que tivesse a maior área em contato com o vento predominante do local, gerando uma ventilação cruzada de grande eficiência, diminuindo o clima hostil da cidade de Bissau.”

Foi tomado como referência tanto no conceito como na estrutura, o projeto desenvolvido por Oswaldo Arthur Bratke, na Serra do Navio (uma cidade planejada), localizada ao norte do Amapá, cidade com uma latitude muito próxima a de Guiné-Bissau. Todos os detalhes utilizados nestes projetos foram estudados e pesquisados a fundo, tanto os de construtibilidade como os de climatização através do conhecimento técnico e vernacular, com o intuito de desenvolver uma escola modelo em Guiné-Bissau.

Decisivo para a escolha desta referência, foi a qualidade técnica e de acabamento. Mesmo com a falta de tecnologia, de mão de obra especializada e recursos financeiros. Neste pensamento e filosofia, idealizamos um projeto impar que se encontra nas mesmas condições da cidade planejada do Amapá.

Semelhante a algumas construções locais, a estrutura é composta através de pórticos de madeira e alvenarias de solo-cimento, produzidas no próprio local, afim de reduzir ao máximo os custos. Esta união de técnicas e materiais foi sugerida pelos calculistas com o intuito de usufruir o melhor de cada uma dos materiais envolvidos.
Pórticos de 3 em 3 metros são dispostos numa sequencia lógica e modular, aproveitando desta simplificação para produzir peças semelhantes afim de evitar grandes perdas de materiais.
No eixo longitudinal de simetria da estrutura, nota-se uma viga-calha, em madeira, que funciona metaforicamente como uma espinha dorsal de uma peixe, que por sua vez, recebe as cargas laterais e de cobertura, transferindo-as para o solo através de pilares ou descarregando grande parte destas cargas nas paredes de alvenaria estrutural executadas em solo-cimento, que por sua vez são estruturais.

Notável são as épocas de cheias e alagamentos do sitio projetado. Não fazendo vistas grossas a este fenômeno natural e corriqueiro, idealizou-se uma estrutura elevada do solo com aproximadamente 70 centímetros de altura, garantindo solo firme e seco durante todas as estações do ano. As águas provindas das chuvas serão coletadas e armazenadas em dois tanques/poços inferiores, posteriormente estas águas serão tratadas e em seqüência enviadas a caixa d’água superior, podendo assim ser utilizada sem nenhuma contaminação.

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