Box House

“Com o objetivo de quebrar os paradigmas ingênuos de nossa sociedade preconceituosa, este projeto nada mais é do que a demonstração de que uma habitação de baixo custo no Brasil pode ter qualidade funcional e estética sem custos elevados.”

Com o dever de mostrar ao mercado o quanto a arquitetura pode contribuir para a produção de boas soluções habitacionais para uma faixa de renda menos favorecida, este projeto parte do ideal de que uma habitação social pode unir qualidade estética e funcional, sem custos elevados. Deste modo, utilizando a limpeza formal e a racionalidade, foi possível desenvolver um conjunto de 17 casas de baixo custo.

A solução estrutural, possível através de um pensamento inovador,propõe uma estrutura mista, de alvenaria estrutural e estrutura convencional, na qual a laje com um grande balanço é contraventada, engastando em uma viga (chata, de modo a não ficar perceptível na sua parte inferior), que por sua vez conecta-se à estrutura principal da casa.

Concebido em um terreno elevado com um grande declive, o projeto desfruta de uma rua interna cuja finalidade é conectar as unidades habitacionais do condomínio, proporcionando um eixo de visibilidade do entorno. Cada residência unifamiliar desfruta de uma vaga na garagem. Para evitar ultrapassar os 6 metros de gabarito estabelecidos pela prefeitura da região, foi idealizado um meio nível á baixo do perfil do terreno para abrigar a garagem e um depósito. Subindo um nível, o primeiro pavimento conta com sala e cozinha integradas, lavabo e área de serviço, já no pavimento superior, estão dois quartos e um banheiro.

A caixa d’água destaca-se como uma solução estrutural, plástica e econômica ao projeto, pois ao localizar-se na fachada frontal da unidade, diferencia-as entre si, e é econômica ao passo que concentra toda a área molhada em um só ponto.

A disposição das esquadrias na fachada favorece para que a ventilação cruzada aconteça na habitação. Além disso, possuem dimensões generosas para que a iluminação natural perpasse todos os ambientes internos, ajudando assim, na economia do consumo de energia elétrica.

Outro ponto relevante está no uso racional dos materiais que, através de projetos bem detalhados, evitou o disperdício de insumos, principalmente no canteiro de obra. Configurando-se, assim, uma economia total de 27% do volume total da obra. Com isso, obteve-se um valor aproximado de 45 mil reais de custo de construção por habitação, valor este, bem inferior ao que se praticava na época. Comparativamente falando, o preço de construção da habitação equivalia ao preço de um veículo automotivo de médio porte.